Os vinhos que degustei no fim de 2018

Tenho que confessar que bebo menos vinho do que gostaria e do que muitos imaginam, entretanto bebo com mais qualidade.

Parece piegas ou uma frase de impacto porém é a mais pura verdade. Ou melhor, é a minha realidade. Conforme vou acumulando conhecimento ao longo desses mais de 13 anos de experiência no setor de vinhos, o paladar vai apurando e hoje não há como abrir mão da qualidade. O valor agregado sobe juntamente com o valor monetário dos rótulos.

Não quero dizer com isso que quanto mais caro melhor será o vinho. Me refiro a uma relação entre a qualidade do vinho, mão de obra aplicada na produção do vinho e o preço final. É um assunto para uma nova postagem para explicar melhor ou fornecer mais detalhes sobre o assunto.

Bom, mas voltando ao tema desse post, reforço a importância de uma seleção criteriosa já que o investimento não é baixo.

O ano de 2018 chegou ao fim e, particularmente, foi um ano de transição para mim, principalmente profissional. Realizei muitas atividades sendo que a última ocorreu em 14.12.2018 no Rubaiyat Rio com a masterclass Piemonte – uma experiência Pio Cesare.

Modéstia à parte, o painel estava simplesmente incrível! E não podia ser diferente. O Pio Cesare é um dos melhores produtores do Piemonte. Foram 4 rótulos, criteriosamente selecionados por mim e bem representativos do que podemos esperar de uma das regiões mais importantes da Itália e do mundo. As vinhas da Pio Cesare estão localizadas em diferentes áreas no Piemonte, simplesmente, pelo desejo de combinar as diferentes características de cada vinhedo e de cada zona para produzir vinhos representativos do estilo da totalidade dos terroirs de cada denominação em vez de apenas um de cada uma delas. Esta foi a maneira clássica de produzir Barolos, Barbarescos e outros vinhos de Alba no final do século XIX e continua a ser a filosofia da família hoje – que está na 4ª geração – e, também, para o futuro.

Mas, quem me conhece sabe que gosto de tirar meus clientes, alunos e ex-alunos da zona de conforto e sempre procuro apresentar novidades como foi o caso do primeiro vinho degustado – Barbera d’Alba Fides.

  • Barbera d’Alba Fides 2015 – 100% Barbera – Piemonte – o termo Fides já dá indícios do que esperar desse Barbera. Em latim, Fides, significa Fé. Mas por que? Simplesmente porque as videiras de Barbera estão plantadas numa área de produção do Barolo. Ou seja, a Pio Cesare poderia ter plantado Nebbiolo e ter produzido um Barolo mas ao invés disso preferiu plantar Barbera e produzir esse belíssimo vinho que apresentou uma coloração rubi intensa com um nariz elegante com notas de frutas maduras, alcaçuz, tabaco e menta. Em boca, com boa estrutura, textura agradável, acidez na medida certa e final persistente.

 

  • Barolo 2013 – 100% Nebbiolo – Piemonte – após o primeiro vinho da noite, o belíssimo Barbera d’Alba Fides, seguimos para um dos Barolos que o Pio Cesare produz. A expectativa de todos os presentes era alta afinal estávamos diante desse ícone italiano, de renome mundial! E ele não decepcionou. Apresentou mais corpo, estrutura e complexidade que o Barbera. Com uma coloração rubi com reflexos granada, apresentou uma paleta aromática com frutos secos, nozes, especiarias, couro e rosas. De médio corpo para encorpado, acidez assertiva com taninos maduros e redondos.

 

  • Barbaresco Il Bricco 2010 – 100% Nebbiolo – Piemonte – depois de um Barolo ainda jovem porém complexo, o seguinte rótulo deveria ao menos manter o padrão e a qualidade do vinho anterior. E esse barbaresco não decepcionou. Ao contrário, encantou e surpreendeu aos presentes com potência e estrutura. Aqui vimos todo o potencial de um vinho que recebeu nada menos que 96 pontos de James Suckling. Visual granada, extremamente floral com violetas, rosas, alcaçuz e notas de fruta madura e seca no nariz. De muito corpo com acidez vibrante e suculento no palato. Com um final mineral e terroso. Elegante!

 

  • Moscato d’Asti 2016 – 100% Moscato – Piemonte – e para fechar a última masterclass de 2018 nada melhor que um vinho delicado e aromático que harmonizou muito bem com a cheesecake de frutas vermelhas. Apresentou um frescor muitíssimo agradável sendo ligeiramente adocicado e delicadamente aromático com notas de mel, pêra e jasmin. Uma acidez viva e revigorante.

 

Encerrei esta noite com um sentimento de plenitude e de dever cumprido. Escolha acertada do tema e dos vinhos do Pio Cesare. Mais um evento de sucesso!

Ao longo do ano de 2018 abri novos canais de comunicação com minha audiência realizando muitos webinários – foram 11 webinários ao vivo -, com uma frequência mensal, além das masterclasses. Agora é preciso encerrar esse ciclo e iniciar um novo. A partir de 2019, serei um infoprodutor ou produtor digital além, é claro, de continuar como embaixador da Enocultura no Rio de Janeiro, ministrando as certificações WSET e FWS.

No fim do ano passado, com a decisão tomada e a direção definida, estava diante de incertezas e de muitas novidades, que exigem uma curva de aprendizado grande me levando a trilhá-la o quanto antes. Iniciei, rapidamente, meus passos no universo digital, conhecendo as novas tecnologias, plataformas e ferramentas que me darão suporte neste novo ciclo profissional.

Após 10 dias da masterclass sobre o Piemonte, continuei na pegada dos vinhos italianos e abri no Natal para compartilhar com meus familiares um Chianti Classico Riserva de 1993.

  • Chianti Classico Riserva Vigneti di Campomaggio 1993 – 100% Sangiovese – Toscana – a Tenuta di Campomaggio é fruto do trabalho de uma tradicional família da Toscana, que faz vinhos há mais de 5 gerações. E foi nas suaves colinas da região histórica do Chianti Classico que a uva sangiovese foi colhida e vinificada. O vinho estagiou por 24 meses em barricas de carvalho. Apresentou uma coloração vermelho-granada sem reflexos. Com uma paleta aromática repleta de cerejas e morangos maduros, especiarias, tons herbáceos, chá preto, violetas e notas de balsâmico. O longo tempo em garrafa deu ainda mais complexidade ao vinho, que estava no auge, pronto pra beber. Uma experiência indescritível e absolutamente incrível degustar um Chianti Classico de 25 anos.

Para o réveillon reservei dois espumantes nacionais da Cave Geisse que na minha opinião, é um dos melhores produtores de espumantes que temos aqui no Brasil.

Os escolhidos foram:

  • Cave Geisse Blanc de Noir Brut;
  • Cave Geisse Terroir Rosé Brut;

O jantar de réveillon foi acompanhado pelo Terroir Rosé Brut onde parte do corte amadureceu por 48 meses em barricas de carvalho. É a expressão e sofisticação do Terroir de Pinto Bandeira.

  • Terroir Rosé Brut 2014 – 100% Pinot Noir – parte do blend desse espumante estagiou em barricas francesas. Com uma coloração salmão e perlage pequena e abundante. Um nariz bastante agradável e frutado, revelando frutas vermelhas como morangos, framboesas e cerejas. No palato com muito equilíbrio entre álcool e acidez que estava viva e imperativa! Um espumante cremoso, elegante e macio. De muita personalidade e estrutura. Incomparável e inconfundível!

Já para a virada do ano, sabrei o Blanc de Noir Brut 2015. Este é um dos espumantes que costumo harmonizar com feijoada. Se ficou curioso, entre em contato através do meu instagram que passo mais detalhes e dicas sobre essa harmonização.

  • Blanc de Noir Brut 2015 – 100% Pinot Noir – é um espumante altamente gastronômico. Como mencionei anteriormente, gosto de harmonizar com feijoada, mas há muitas outras opções. Ele estagiou por 36 meses em barricas de carvalho, dando-lhe ainda mais estrutura e complexidade. Todo o charme da Pinot Noir pode ser percebido neste espumante. O dégorgement ocorreu 3 anos após a safra o que lhe conferiu mais cremosidade e estrutura. Entre brindes e fogos de artifício com a chegada de 2019, este espumante apresentou uma coloração amarelo dourado e perlage bem persistente. No nariz apresentou notas frutadas, florais e de especiarias. O palato é rico, cremoso e com acidez vibrante. Um vinho sofisticado e gastronômico.

E para dar início ao novo ciclo, já no primeiro dia de 2019, abri o tão esperado vinho Trilogia, um vinho português da Península de Setúbal, que foi elaborado pela José Maria da Fonseca para brindar o novo século e o novo milênio – uma edição rara e especial, resultado da combinação de três colheitas: 1900, 1934 e 1965.

O Trilogia é limitado a 13.926 garrafas e foi colocado no mercado em Outubro de 1999

  • Trilogia 1900-1934-1965 – 100% Moscatel de Setúbal – 18% – Península de Setúbal – com uma cor fascinante de topázio intenso, esse vinho é convidativo com uma paleta aromática intensa e complexa com notas de frutos secos de amêndoas, avelãs, nozes e mel. No palato com acidez imperativa e bem equilibrada com o álcool de 18,2%. Doce, encorpado, complexo e com final bem persistente. Uma viagem sensorial através de mais de um século de história da José Maria da Fonseca.

Isso foi só o começo de um novo ciclo profissional que se iniciou em 2019. Muitas novidades estão por vir. Me acompanhe nas mídias sociais – Instagram e Linkedin – onde estarei sempre divulgando as novidades e as atividades em primeira mão.

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Um abraço!
Rafael Puyau

4 thoughts on “Os vinhos que degustei no fim de 2018

  1. Parabéns Rafa! Tive o privilégio de compartilhar com vc o fim de ano e as garrafas do master class , lembro sempre que os meus vinhos inesquecíveis foram inesquecíveis também pelas pessoas que foram compartidos! Grande abraço e feliz 2019

    1. Obrigado Joca pela sua presença nesta masterclass. Espero que esse ano possamos estar juntos nas certificações WSET 2 e FWS. Além, é claro, de poder compartilhar com você os projetos online como a certificação Provence e alguns e-books.

      Grande abraço e ótimo 2019!

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