Cacique Maravilha – Vino Naranja

Os vinhos laranjas estão em alta no setor de vinhos, assim como os vinhos de cultivo orgânico ou biodinâmico, apesar de não serem mais uma novidade, porém ainda despertam curiosidade e estão “surfando na crista da onda” para muitos enófilos. Degustei esse rótulo – Cacique Maravilha Vino Naranja 2017 – em abril de 2018 e fiz questão de publicar aqui no blog pela filosofia que o enólogo Manuel Moraga Gutierrez emprega na produção de seus vinhos. Ele busca resgatar o modo antigo de se fazer vinho. É considerado pelo Guia Descorchados como um dos produtores orgânicos/biodinâmicos mais interessantes do Chile.

Ele segue na busca por resgatar e para reintroduzir os métodos ancestrais no processo de vinificação e obter a expressão mais pura e natural das uvas em todas as suas criações. Assim nasceu o VINO NARANJA! Normalmente se elabora vinho branco sem a presença das cascas. No caso dos tintos, a casca desempenha um importante papel durante o processo de maceração, além de taninos e aromas, confere cor ao mosto!

O VINO NARANJA é justamente um vinho branco elaborado com a mesma técnica de se fazer um vinho tinto, ou seja, vinificação na presença das cascas. Modo pouco usual e praticamente abandonado há mais de 100 anos. Mas Gutierrez não se rende!

Técnicas ancestrais, pouco ou nenhuma interferência nos vinhos, liberdade para que a natureza dite a vinificação. É exatamente o que Manuel Moraga Gutierrez, vinhateiro responsável pela pequena Viña Cacique Maravilha, faz na comuna de Yumbel, na região vinícola chilena de Bio Bio.

Para começar, a família de Manuel faz vinhos de maneira tradicional no Chile há nada menos que três séculos, coisa raríssima por lá. Manuel é um dos adeptos do cultivo orgânico e da vinificação natural onde não se aplica nada de produtos químicos nos vinhedos e, tampouco, em seus vinhos – verdadeiras raridades de boutique.

Como se elabora um vinho laranja?

Como já mencionei anteriormente, são vinhos brancos vinificados com as cascas das uvas brancas. Também conhecidos, popularmente, como Orange Wines pela tonalidade que apresentam, devido a presença do composto orgânico conhecido como lignina.

Estrutura da Lignina

Prefiro chamá-los de Skin Contact WhitesBrancos em contato com as cascas – ou como os próprios produtores o chamam, de Vinho Âmbar ou simplesmente Branco macerado com as cascas.

Enfim, independente do nome que desejamos chamá-lo, durante o processo de maceração, o mosto-vinho ganha cor, aromas, sabores e taninos. Devido a essas características, não posso deixar de falar que é um estilo de vinho extremamente versátil e gastronômico, apresentando boa acidez, certa carga tânica e uma paleta aromática muito interessante.

São produzidos em ânforas, sem adição de sulfitos, e com leveduras selvagens encontradas nas cascas das uvas. Várias castas, como por exemplo a Sauvignon Vert e a Pinot Grigio, podem ser usadas para a produção desse estilo de vinho, mas a casta Ribolla Gialla ganha maior destaque na produção dos Brancos em contato com as cascas. A Itália posiciona-se como o maior produtor de vinhos laranjas, porém encontramos excelentes versões na Croácia, Eslovênia, Estados Unidos e, principalmente no Brasil. Aliás, já tive a oportunidade de provar alguns brazucas de tirar o chapéu!

  • Ribolla Gialla – de pele grossa, contém bastante acidez e sabor. É a principal casta da região norte italiana de Friuli-Venezia Giulia e Brda, na Eslovênia. Os vinhos laranjas produzidos a partir dessa casta costumam ser mais encorpados.

Quer saber mais sobre vinhos laranjas? Então continue acompanhando o blog pois farei um post exclusivo explicando, de forma mais aprofundada e técnica, sobre o processo de produção dos vinhos laranjas. Agora, vamos para minha análise sensorial.

O VINHO

País: Chile
Região: Vale do Bio Bio
Castas: Moscatel de Alejandria
Safra: 2017
Produtor: Viña Cacique Maravilha
Teor alcoólico: 13%

Este vinho apresentou-se com aparente turbidez, pois não é filtrado. O aroma entrega leveduras, banana verde, notas de capim limão e couro. O sabor é texturizado com taninos – lembrando um vinho tinto leve – e acidez da maçã verde. O corpo leve torna este branco um vinho exótico e bem refrescante.

Produzido a partir da casta Moscatel de Alejandria, não é um vinho doce, na verdade é seco e cítrico. Uma pedida muito interessante para os dias quentes de verão, com petiscos salgados, defumados ou em conserva.

Na busca de expandir seu paladar com uma descoberta nova?

Este vinho é um “MUST HAVE“!

Você encontra esse rótulo no Brasil, pela importação exclusiva da LA CHARBONNADE. E aí? Já provou algum vinho laranja? O que achou? Deixe um comentário e compartilhe sua história.

Saúde e até o próximo post,
Rafael Puyau

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